Controle Interno de Qualidade (CIQ): como otimizar a rotina e garantir resultados laboratoriais confiáveis e em conformidade com a RDC 978/2025
Por que o CIQ é inegociável na rotina analítica?
Resultados laboratoriais sustentam decisões clínicas. Sem um Controle Interno de Qualidade (CIQ) robusto, aumentam os riscos de erros aleatórios e sistemáticos, retrabalho, atrasos na liberação e perda de credibilidade. Um programa de CIQ bem desenhado monitora continuamente a exatidão e a precisão dos métodos, permitindo intervenções rápidas antes que qualquer desvio impacto o paciente.
A periodicidade obrigatória do Controle de Qualidade Laboratorial no Brasil está definida pela nova RDC 978/2025 da ANVISA, que entrou em vigor em junho de 2025 e substituiu a RDC 786/2023
Principais exigências sobre Controle de Qualidade:
Participação obrigatória em programas de CQI e CQE
Todos os laboratórios que realizam exames de análises clínicas (EAC) devem participar de:
Controle Interno de Qualidade (CIQ): realizado diariamente, com registros contínuos e ações corretivas documentadas.
Ensaios de Proficiência (Controle Externo de Qualidade - CEQ): realizados conforme cronograma do provedor, geralmente mensal ou trimestral, dependendo do escopo do exame.
2. Frequência mínima exigida
CIQ: deve ser realizado em cada rotina analítica, ou seja, diariamente para todos os exames que possuem controle.
CEQ: a participação deve ser periódica e contínua, com frequência definida pelo programa de proficiência (ex: PNCQ, Controllab), geralmente mensal, bimestral ou trimestral, dependendo do exame.
3. Auditorias internas e rastreabilidade
A RDC 978 exige:
Auditorias internas regulares (não especifica periodicidade fixa, mas recomenda frequência compatível com o risco e escopo do serviço).
Rastreabilidade completa dos exames, incluindo data/hora da coleta, identificação do coletador, analista e responsável técnico.
4. Documentação e indicadores
Os resultados de CQI e CEQ devem ser documentados, analisados e utilizados para melhoria contínua.
Indicadores de desempenho técnico devem ser monitorados e revisados periodicamente.
Fundamentos do CIQ: o que não pode faltar
Materiais de controle
Níveis múltiplos (normal e patológico): avaliam o desempenho em diferentes faixas de medição.
Matriz adequada ao método: minimiza efeitos de matriz.
Rastreabilidade e estabilidade declaradas: informações do fabricante e certificados acessíveis à equipe.
Frequência e planejamento
Frequência mínima diária (ou por lote/corrida analítica, conforme criticidade e volume), em consonância com a RDC 978/2025.
Reexecução após eventos críticos: manutenção, troca de reagente/lote, calibração, atualização de software.
Ferramentas estatísticas
Gráficos de Levey-Jennings: acompanhamento visual de desvios ao longo do tempo.
Regras de Westgard: critérios objetivos para detecção de erros (1 2s, 1 3s, 2 2s, R 4s, 4 1s, 10 x).
Indicadores de desempenho: CV%, viés, SDI (quando comparável), taxas de rejeição por ensaio.
Registros completos (data, operador, lote de reagente e controle, instrumento, decisões tomadas), conforme exigência da RDC 978/2025 para rastreabilidade.
Como montar um fluxo de CIQ enxuto e eficaz
Mapeie os métodos críticos Priorize ensaios de maior impacto clínico e volume para maior frequência e controles adicionais.
Defina metas de qualidade viáveis Estabeleça limites com base em dados históricos do seu método e nas especificações do fabricante. Ajuste metas por faixa analítica quando necessário.
Padronize Carta de Controle por ensaio Configure médias e desvios-padrão realistas. Recalcule periodicamente com base em desempenho real (após estabilidade do método).
Automatize alertas e revisões Utilize o LIS/middleware para alertas automáticos de violações Westgard e para impedir liberação quando o CIQ não for aprovado.
Crie uma árvore de decisão para não conformidades Do mais provável ao menos provável: erro operacional → problemas de controle (vencimento/armazenamento) → reagente/lote → calibração → instrumento.
Feche o ciclo com ação corretiva e lição aprendida Registre a causa raiz, a ação implementada, a verificação de eficácia e a prevenção de recorrência. Alimente um banco de causas para agilizar decisões futuras.
Erros comuns no CIQ e como preveni-los
Aceitar limites genéricos do fabricante sem validação local → Colete dados do seu laboratório (no mínimo 20 resultados estáveis) e ajuste média/DP.
Ignorar violações “menores” → Regras como 2 2s e R 4s sinalizam tendência/deriva. Trate antes que evoluam.
Armazenamento inadequado de controles → Controle temperatura e prazo após reconstituição/abertura. Registre cadeia de frio.
Subestimar o impacto de troca de lote → Faça comparativo interlote com sobreposição de controles e, se possível, amostras de pacientes.
Falta de integração com CEQ → Use os resultados de ensaios de proficiência para recalibrar expectativas internas e direcionar melhorias, conforme exigência da RDC 978/2025 para a participação obrigatória em programas de CEQ.
Indicadores para gestão do CIQ que realmente ajudam
Taxa de rejeição por ensaio e por causa (operacional, reagente, instrumento)
Tempo médio de resolução de não conformidades
CV% e viés por ensaio e nível de controle
Número de intervenções preventivas que evitaram liberação indevida
Impacto em TAT (tempo de resposta) durante ocorrências e após correção
Papel do fornecedor na excelência do CIQ
Um fornecedor especializado acelera a maturidade do seu programa de qualidade ao oferecer:
Materiais de controle e reagentes com documentação técnica completa e rastreabilidade do lote.
Apoio técnico na definição de metas, configuração de cartas, interpretação de tendências e validação interlote.
Treinamentos e atualização de boas práticas, reduzindo variabilidade entre operadores e turnos.
A Master Diagnóstica atua como parceira técnica para seleção de insumos, planejamento de CIQ por método e suporte na resolução de não conformidades, sempre com foco em segurança, eficiência e rastreabilidade, e em conformidade com as exigências regulatórias.
Checklist rápido de CIQ para implementar hoje
POP de CIQ atualizado por método e instrumento
Dois níveis de controle ativos para ensaios críticos
Levey-Jennings configurado com dados locais
Regras de Westgard aplicadas e bloqueio de liberação quando não conforme
Procedimento formal de troca de lote com sobreposição e aceitação técnica
Registros completos e auditáveis no LIS/middleware
Reunião mensal de revisão de indicadores e tendências
Integração CIQ + CEQ: visão 360° da qualidade
O CIQ monitora performance em tempo real. O CEQ (ensaio de proficiência) fornece uma avaliação externa e periódica. Juntos, permitem:
Distinguir erro aleatório vs. sistêmico
Calibrar expectativas internas com a média de pares
Direcionar ações corretivas com evidência
FAQ rápido
Quantos resultados preciso para estabelecer média e DP? Idealmente, 20–40 resultados estáveis por nível de controle após a fase de ajuste do método.
Quando devo recalcular a carta?
Troca de lote de reagente ou controle
Manutenção relevante
Mudanças no desempenho (deriva)
Periodicamente, conforme POP (ex.: trimestral)
Preciso usar todas as regras de Westgard? Aplique um painel de regras adequado ao risco do ensaio e ao seu histórico. Nem sempre “mais regras” significa melhor; evite excesso de falsos positivos.
Um CIQ bem estruturado transforma a rotina analítica: reduz retrabalho, evita não conformidades e eleva a confiança clínica no laudo. Com processos padronizados, indicadores úteis e parceria técnica do fornecedor, seu laboratório ganha eficiência e previsibilidade.
Quer fortalecer o CIQ do seu laboratório? Converse com a equipe técnica da Master Diagnóstica e conheça soluções de insumos e suporte que aceleram a qualidade da sua operação.
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