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08 de julho de 2020 Nanotecnologia na saúde: como vem sendo aplicada?

A tecnologia e a medicina estão mais entrelaçadas do que nunca. Atualmente, contamos com métodos diagnósticos ultrarrápidos e tratamentos cada vez mais direcionados e individualizados. Nesse cenário, as novas tecnologias que surgem na engenharia são rapidamente incorporadas na medicina ? é esse o caso da nanotecnologia na saúde.

Embora esse pareça um tema de ficção científica, já começamos a aplicar os avanços da nanotecnologia na prática médica. Neste artigo, explicaremos um pouco mais sobre essa tecnologia e sua interface com a assistência à saúde. Continue lendo para saber mais!

Quais as aplicações da nanotecnologia na saúde?

Por ser uma tecnologia recente, a nanotecnologia na saúde ainda está em fase experimental na maior parte do globo: o objetivo é utilizar nossa manipulação microscópica de materiais para criar intervenções cada vez mais eficazes e menos invasivas.

Um exemplo potencial da nanotecnologia é a desobstrução de artérias. Atualmente, a doença coronariana é a principal causa da morbimortalidade em todo o planeta. Embora o tratamento tenha sido extensivamente aprimorado e estudado nos últimos anos, ele continua relativamente ineficaz. O padrão-ouro é a angioplastia percutânea, que nem sempre está disponível ou é indicada, devido ao tempo de início dos sintomas.

A nanotecnologia promete mudar esse cenário. Já estão em fase de teste robôs microscópicos que são injetados na corrente sanguínea e identificam a obstrução arterial. Em vez de delegar essa tarefa à angioplastia (que é muito mais agressiva e logisticamente escassa), é possível substituí-la pela nanotecnologia ? capaz de ser produzida em massa e disponível em seringas, que são muito mais facilmente transportáveis.

Outro potencial da nanotecnologia está ligado à cirurgia minimamente invasiva, principalmente na área da oftalmologia. Por se tratar de um tecido muito delicado, quanto menor for a escala de manipulação, melhor. Embora já tenhamos reduzido drasticamente a invasibilidade dessas cirurgias, a nanotecnologia tem muito a nos oferecer.

Nas cirurgias oculares, no entanto, estão sendo estudados nanorrobôs que são injetados na câmara de cirurgia. Em vez de atuar diretamente nos olhos, os oftalmologistas controlam esses robôs por um campo magnético. Com isso, em vez de o processo traumático da cirurgia, conseguimos substituí-la por uma simples injeção.

Outra área promissora da nanotecnologia está relacionada ao uso dos micromotores, que funcionam como uma bomba de substâncias. Eles estão sendo estudados na farmacodinâmica de alguns fármacos, que necessitam de ambientes específicos para serem eficazes. O exemplo mais clássico é o de medicamentos considerados ?pH-dependentes?, que sofrem com a ampla variação de pH do trato gastrointestinal.

Os micromotores atuam controlando o pH local antes de liberar o fármaco, ampliando sua eficácia. Com isso, é possível padronizar o microambiente da atuação da droga e reduzir sua dose total, visto que ela se torna mais eficaz. Com isso, melhoramos as vantagens do fármaco e reduzimos seus efeitos colaterais.

No entanto, devemos salientar que o uso da nanotecnologia na saúde não está isento de obstáculos. Embora promissoras, essas pesquisas ainda não atingiram um custo-benefício necessário para serem amplamente disponibilizadas no mercado. Além disso, ainda não sabemos ao certo o impacto ambiental desses nanomateriais, nem qual a taxa de acumulação deles no corpo. Por esses motivos, ainda há um longo percurso científico a ser percorrido pela nanotecnologia.

Quais os avanços já feitos?

Embora a injeção de nanorrobôs e motores microscópicos ainda seja incerta, a nanotecnologia já é utilizada na confecção de materiais. Portanto, podemos dizer que ela indiretamente já atua na saúde, ampliando nosso leque de serviços.

O exemplo mais conhecido, embora ainda comercialmente limitado, é o das pílulas inteligentes. A primeira vez que uma delas foi aprovada pela Food and Drug Administration foi em 2001, no uso de uma microcâmera ingerível. Produzida com a nanotecnologia, ela era deglutida pelo paciente e tirava fotos de todo o trato gastrointestinal, sendo expelida nas fezes. Essa tecnologia facilita o diagnóstico de doenças intestinais, podendo substituir colonoscopias ou endoscopias.

Atualmente, já contamos com várias pílulas inteligentes. Além de fotografar o trato gastrointestinal, elas também fazem a liberação lenta de fármacos e monitoram sua concentração. Outra modalidade é uma pílula vibratória, que estimula o movimento do intestino e é utilizada no tratamento da constipação.

Outro uso já incorporado da nanotecnologia é no diagnóstico de doenças virais. Como esses micro-organismos são muito pequenos, os novos testes utilizam a nanotecnologia para identificar suas partículas. Com isso, é possível identificá-los com maior precisão e rapidez, diferenciando-os das doenças bacterianas e otimizando o uso de antibióticos.

O uso de vacinas também tem se beneficiado dos avanços da nanotecnologia, no chamado ?nanopatch?. Ele consiste em milhares de microagulhas de silicone, que injetam a substância no espaço subcutâneo sem necessitar de uma agulha. Além de ser um método menos doloroso, ele também reduz a necessidade de refrigeração e oferece a proteção com uma dose menor de vacina.

A aplicação da nanotecnologia da saúde tem grandes potenciais para o futuro da medicina. Além disso, ela já vem sendo utilizada em materiais e equipamentos atualmente, mesmo que indiretamente. Sua manipulação em escalas microscópicas nos permite, cada vez mais, fornecer tecnologias mais robustas e direcionadas ao tratamento e diagnósticos e doenças



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